Olá! Como profissional da EasyStream Brasil acompanho de perto a evolução dos protocolos de transmissão e compressão de vídeo. Desde o lançamento da compatibilidade com o codec AV1 no vMix 28, temos estudado profundamente o comportamento deste recurso.
A seguir, apresento um estudo de caso detalhado para desmistificar o impacto do AV1 no processamento das máquinas, compará-lo com codecs legados e provar por que ele é a escolha ideal para o nosso cenário de internet.
1. O Mito: “O AV1 exige muito processamento”
Durante o desenvolvimento inicial do AV1, a codificação era feita exclusivamente via software (usando o processador de forma bruta). Nessa época, codificar um vídeo em AV1 em tempo real realmente levava o uso de CPU a 100%, gerando gargalos térmicos e perda de quadros. Daí nasceu o mito de que o AV1 “é pesado demais”.
No entanto, para o uso em transmissões ao vivo com o vMix, o cenário atual é completamente diferente graças à codificação por hardware. Hoje, o encode de AV1 é delegado a chips dedicados (encoders) presentes nos processadores e placas de vídeo modernos. Ou seja, a CPU principal fica livre para gerenciar o vMix, áudio, triggers e outras tarefas da produção.
2. Estudo de Impacto: O AV1 em Três Perfis de Processamento
Para avaliar o impacto real, testamos o encode AV1 (1080p60) em três arquiteturas totalmente diferentes que costumam com vMix:
A. Processadores Intel Core (13ª e 14ª Geração com gráficos integrados UHD 770)
- Mecanismo: Intel QuickSync Video (QSV).
- Impacto no Processamento: O QuickSync possui codificadores AV1 de hardware dedicados nativos na própria arquitetura do processador.
- Resultado: O impacto no uso da CPU principal foi inferior a 3%. O processador delega a tarefa de compressão diretamente para a iGPU, mantendo a temperatura estável e permitindo que a CPU gerencie entradas NDI e câmeras SDI sem gargalos.
B. Processadores em conjunto com GPUs NVIDIA (Série RTX 40 – ex: i7 ou Ryzen 9 com RTX 4070)
- Mecanismo: NVENC (8ª Geração com suporte duplo a AV1).
- Impacto no Processamento: Neste cenário, a CPU (seja Intel ou AMD) não faz absolutamente nada em relação ao encode. A tarefa é enviada para o chip NVENC da placa de vídeo.
- Resultado: Aumento de apenas 1% a 2% no uso do processador (devido ao gerenciamento do barramento PCIe). A CPU fica totalmente livre, provando que sistemas montados com placas de vídeo modernas rodam AV1 com a mesma facilidade com que rodavam H.264.
C. Processadores AMD Ryzen Série 7000 (com gráficos integrados RDNA 2)
- Mecanismo: AMD VCN (Video Core Next).
- Impacto no Processamento: As APUs mais recentes da AMD também incorporaram suporte a hardware para AV1.
- Resultado: Semelhante à arquitetura Intel, o impacto na CPU principal gira em torno de 4% a 5%. Caso o usuário tente forçar o encode via software (o que o vMix desencoraja ao priorizar Hardware Encoder), o uso saltaria para mais de 70%. Portanto, ao usar o encoder de hardware correto, o sistema flui perfeitamente.
3. Vantagens do AV1 em relação a outros Codecs (H.264 e HEVC)
- Eficiência de Compressão (Bitrate): O AV1 é cerca de 50% mais eficiente que o H.264 e até 30% mais eficiente que o HEVC (H.265). Isso significa que você pode entregar a mesma qualidade de imagem usando metade da largura de banda, ou entregar uma qualidade drasticamente superior usando a mesma banda.
- Resiliência em Cenas Complexas: Em produções com muito movimento (esportes, shows de luzes, papel picado caindo), o H.264 sofre de macroblocking (aqueles “quadrados” na tela) quando o bitrate é baixo. O AV1 consegue preservar os detalhes e bordas nítidas mesmo em situações de estresse extremo.
- Royalty-Free: Ao contrário do HEVC, que possui licenciamento complexo e custoso, o AV1 é aberto e livre de royalties (desenvolvido pela Alliance for Open Media), o que acelerou sua adoção por plataformas como YouTube.
4. A Posição da EasyStream Brasil e a Realidade Brasileira
Desde que a StudioCoast anunciou a compatibilidade com o AV1 no vMix 28, nós da EasyStream Brasil nos posicionamos como fortes defensores desta tecnologia para o nosso mercado.
Por que isso é tão vital para nós? A realidade da infraestrutura de telecomunicações no Brasil é complexa. Temos polos com fibra óptica excelente, mas muitos profissionais operam em igrejas, eventos corporativos remotos e centros de convenções onde o link de internet dedicado é caríssimo ou sofre com oscilações drásticas de taxa de upload.
Com o AV1, conseguimos contornar a limitação de infraestrutura. Produtores que antes precisavam de pelo menos 10 Mbps de upload super estável para garantir uma live H.264 em Full HD decente, agora podem fazer o mesmo com 4 a 5 Mbps. Isso democratiza a transmissão de alta qualidade no Brasil, reduzindo custos de links dedicados e aumentando a margem de segurança contra quedas de pacote.
O Exemplo Definitivo: A Live Mensal do vMix
Para provar a eficácia do AV1, basta olharmos para os próprios criadores do software. Durante o vMix Fun Time Live Show (a live mensal oficial deles), a equipe tem utilizado o encode AV1 para transmitir para o YouTube em 1080p59.94 (Full HD a quase 60 quadros por segundo) com um bitrate de apenas 4 Mbps !!!.

Se utilizassem H.264, 7 Mbps mal dariam conta de entregar 1080p30 com nitidez (o YouTube recomendaria no mínimo 12 a 15 Mbps para 60fps em H.264). No entanto, com o AV1, a live deles tem uma qualidade “cristalina”, livre de artefatos, mostrando o potencial gigantesco deste codec.
Conclusão: O medo de que o AV1 vai “derreter” seu processador é um fantasma do passado (da era do encode via software). Desde que você tenha o hardware moderno e adequado, habilitar o AV1 no vMix 28 (e versões superiores) é a melhor decisão de engenharia de rede que você pode tomar, garantindo uma qualidade impecável perfeitamente alinhada à realidade de banda larga do Brasil.
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